
Ó morte que usurpa minhas entranhas
e que se aparece a mim ausente;
afasta-te de mim por um instante
e me presenteia com essa ação estonteante.
Dá-me um tempo a mais para algumas façanhas
permite-me do meu cárcere dilacerante
empreender obras novas e entusiasmantes.
Sou teu, mas não me leva agora, só adiante!
Que teu coração arrefecido chegue, por ressonâncias,
ao meu que insiste em movimentos hilariantes,
e que de tanto anelar a vida se faz delirante
por saber não ser possível escapar de sua foice lacerante.
Ó morte! Vês o quanto sou ávido por retumbâncias?
Deixa-me ao menos sentir o cheiro das flores exalantes
que me torna mais vivo e com a certeza radiante
de que posso esperar, um dia, não ser aturdido por teu olhar apaixonan.
Fábio Carvalho Fernandes
29/11/06
THE-PI
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