
Abriu-se o horizonte, raiou um novo dia,
enchi-me de esperanças.
Surge a oportunidade de...
Mimar você.
Quero te pegar em mim e sentir teu corpo nu e macio.
Tua pele aveludada por ter sido guardada nos braços úmidos de Morfeu.
Ele te velou por toda a noite enquanto eu te contemplava às escusas
Ansiando pó um novo arroubo.

És parte de mim.
Busco-te sempre e, nesta manhã,
encontro-te enfim.
Como sois um ser distinto,
ó amada minha. Sois bela!

Toco-te, palmilhando-a com a sofreguidão de mãos
que exalam calores só em imaginar
que não haverá atrito entre elas e ti.
Faze-as escorregar por teu templo somático
a encontrar o tabernáculo
onde esconde teu intimo segredo.
Nem que dure as estações eu vou descobri-lo e,
infinitamente, gozá-lo como se a primeira descoberta
fosse o último encontro de minha sede com teu diminuto aqüífero.
Parco. Restrito. Hialino. Que me faz engrandecido.
Diva minha estou à tua espera.
Quero mimá-la, dizer-te palavras fofas,
sentidas no colo de teu coração.
És enganosamente minha.
E por saberes disto, visita-me só no verão.
Não me faça isto, senão todos perceberão
que me maltratas por tamanha angústia. Que solidão!
Ainda bem que estamos na primavera
com seu espocar de múltiplas flores
e de agradáveis e infinitos odores.
Ela, ao saber de nós, agita-se até chegar ao chão
o grande tapete florido que preparou para nós.
Por este iremos à areia plácida do mar.
Lá contemplaremos a chegada do solstício
que anunciará a supremacia do rei sol
a nos unir em outras manhãs intensas e longuíssimas.
Nestas viveremos a morrer de tanto amar. Só amar!
Aguardando antecipadamente esta nova estação
que nos chega a nós no ocaso da esperança
de que não mais irei te ver em meus braços a te acariciar.
No novo verão o nosso encontro será revestido de eternidade,
posto que descobri o modo de em ti me perpetuar.
Deixarei guardado a semente inaudita da certeza
de que a saudade far-me-á presente todas às vezes em que sentires,
desolada, o meu ser ausente.

Fábio Carvalho Fernandes
03/11/08
THE-PI