
Eis que surge a aurora e junto à mesma
Um grito de quem antevê o óbvio aterrorizador.
Bastam apenas alguns raios de luz neste triste arrebol
Para ouvir-me gritar: não me deixe mais sofrer!
Lembro-me que me envolveste com juras previstas de amor
Enciumaste por quedar-me de pessoas alheias a nós.
Ficaste com a face rubra de raiva querendo-me só pra ti.
E acreditei, mesmo sabendo que este enredo já estampara o filme de alguém.
Dei-me então, acreditando mais em ti do que em mim;
E o que vi?! Nada além de um vazio sem fim. Éramos vizinhos e não amantes.
Por que mentiste assim, sem mesuras e cinicamente, por detrás, a ri?!
Maldito sou, por não crê no que já era esperado e avisado... O Fim.
Hoje, enraivecido gostaria de te espancar até a semelhança de minha agonia
Procurei te ferir com palavras, gestos e posturas tristemente infantis.
Vou dando margem aos meus sentimentos mais vis
E me envergonho por igualar-me de um modo tão doentio.
Gritei teu nome frente ao bólido luzente da manhã
E ao longo dos dias derramei lágrimas dementes
Já me vejo, outra vez, me refazendo de seu amor ausente
E sinto que tudo isto aconteceu por que eu nunca tive você contigo dentro de ti.
FCF
26/04/10
The.PI
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