
Grandes somos, quando somos!
Somos viandantes nesta longa e inconteste jornada que é a vida. Nela nossos devaneios vão se cobrindo de formas e antes o que era simples éter em nossa mente em labirinto vai ganhando o fio do sentido que orienta o norte de nossa romaria. Como Teseu matando o minotauro assim matamos em forma de parto o futuro que nos esmaga quando de nós é então parido. Ele nasce arrancando a dádiva chamada presente lançando-nos no purgatório das lembranças teimosamente em cena.
Somos tão grandes que não conseguimos compreender como cabemos em nós mesmos. Somos milhões a vagar num quarto e sala diminuto. Deste construímos o palco de onde executamos a tragicômica ópera da vida. De lá vemos dos olhos em pranto e sorrimos com a boca cerrada pelo não dito. A vida esta magnânima rota nos ilude fazendo-nos crer que dela somos senhores. Ela é que nos governa colocando-nos na Roda de Fortuna soltando-nos à deriva de um infinito sem mesuras.
Mesmo assim, ainda somos grandes! Postos que só nós refletimos sobre o porvir de nossas estruturas. Tão cientes e tantas vezes dementes crendo que temos tempo para fazer germinar a semente da maturidade existencial que há em cada gente. Mas nossa grandeza não está no fato de sermos grandes, não! E sim na tangibilidade de nossa oculta e rechaçada pequenez. Não nos entendemos pequenos por isto que jamais seremos em nós e de nós reinantes. Entendamo-nos por primeiro como infantes para depois sentirmo-nos gigantes.
Daqui o medo deletante do outro. Ele me revela e questiona. Indaga-nos sobre a estupefata mesquinharia. Vemo-nos rejeitar bufando toda tradição embora devêssemos enfeitá-las com alquimia. Transmutá-la calma e humanamente sem as expressões angustiantes da histeria.
Como é bom ver-se grande ante um mar com suas ondas orientadas pela maré com maestria. Nos albores do dia aquelas estão distantes para conhecer o novo e saudar depois o imenso dia que se anuncia. Ao longo do mesmo já de posse de seu oficio se tornam plenas e nos envolvem de enternecedora alegria. Ao crepuscular o propalado ser reluzente junto com ele se cansam e vão logo se retraindo buscando os braços nostálgicos de Netuno. Nestes se sentirão seguras até o despedir da última estrela guia. Desta advém a certeza que com cada nova aurora o sol em cada manhã com sua força brilha.
Assim tendo, por exemplo, a natureza que tudo distingue, mas nada excetua; os humanos só poderemos ser grandes quando de nós sobressair à verdade de que nossa grandeza se imiscui com nossa pequenez e que o outro qual luz nos alumia e conosco alça vôos rumo aos píncaros da consciência de nossa existência. De lá professaremos qual credo de iluminada harmonia:
Grandes somos, quando somos!

F.C.F
THE-PI 16/06/10