quarta-feira, 31 de março de 2010

Nesta vida só um amor

Nesta vida só um amor, o resto é placebo
com algumas contra-indicações tais como:
pessoas que se diluem ante um não;
que se adentram facilmente por veredas idílicas;
que acreditam que já estão vacinadas e, no entanto,
estão com as defesas imunológicas expostas às intempéries
de uma gripe voraz chamada paixão.

Deste falso fármaco existem efeitos colaterais:
Calafrios, lágrimas agridoces escorrendo faces plácidas pela constatação
de não ser um outro amor, e rubras por entenderem a vergonha da crença
de um repetido sentimento multicolor.

De fato, nesta vida só um amor: o resto é placebo para quem hipocondriacamente
se entende tocado pelo dardo de Cupido que, somente numa vez, atingiu o centro
do coração. É lá que reside a certeza de que nesta vida só um amor, o resto é só
engodo para quem prefere a ilusão dos emplastros às sensações reais daquele único amor que se instaura, perenemente, tal qual bactéria num organismo para todo sempre
frágil e suscetível às dores de quem entendeu, por razões diversas que,
nesta vida só um amor, o resto é desconforto para quem confunde amor com a efêmera,
às vezes meritória, paixão.

Não tem explicação, nesta vida só um amor!



F.C.F
18/03/10
M. Gil - PI

O tempo não pára



O tempo não pára, no entanto, nunca envelhece,
mas, por não parar, a cada volta em que nos encontra
se revela um peralta pleno de artimanhas
adquiridas num tempo que nunca pára e nem envelhece.


Agora mesmo, ouvindo um som que se pretende atemporal,
revela-se ao contrário, datado, fisica e geograficamente presente.
É um passado longíquo que transverbera o hoje e faz reviver as feridas
já cicatrizadas, tornando-as expostas num futuro perene.

Porquê? Por quê sinto esta nostalgia cortante e sem razão que me faz gritar silente:
Fique, eu te peço amor? não me faça dizer às paredes de ti, minha paixão.
Quero-te amor, fique aqui e estenda minha alegria, rejeitando a teimosia
e extenuada melancolia.

Que insiste em me encontrar todas às vezes que neste tempo não senil
eu me ponho a encontrar minha história que ao contrário do tempo,
mesmo inquieta e pretensamente eliptica, sente-se cada vez mais próxima
do fim com seu aliviante e estigamatizado adeus.

A Deus resta-me implorar para que meu adeus
não provoque em quem o ouve o balido entristecido e orante
de quem se põe questionadamente a gritar, vendo seu amor
partir e fenecer: Ó Deus, porquê?!

F.C.F
18/03/10
M.Gil - PI

Coração Sozinho



Coração sozinho que por avenidas se põe a vagar.
Triste e isolado se vê entre muitos malfadado.
Procura insistentemente,sem sucesso, o teu ansiado par.
Vê-se a cada vez que emerge alguém como um ser animado.

Contudo, esta alegria não perdura nem três meses.
É como um tempo probatório que, ao contrário de outros,
já indica o cabo deste enredo sem surpresas
o que para alguns seria sinal de continuidade para mim é
sinal de mortandade.

Nasci para o vácuo dos que não encontram um amor.
Percorro todas as árterias e não encontro o meu sangue redentor.
Constato entre borbadeios sistóles e diástoles
a grande certeza do meu existir: o meu coração nasceu para
sozinho vagar e nunca um amor encontrar.

F.C.F
23/03/10
M.Gil-PI