
Havia um par que se sentia atraído,
de um modo recíproco em lugares recônditos,
mas, pela força do amor, eqüidistantes.
Cada um anelava o outro de modo tão intenso que era possível sentir a ofegância do amado nas correntes de vento que balançavam os cabelos da amante.
A cada palpitar ecoava por entre oceanos e cordilheiras,
Uma pujante exclamação: Não suma!
Era um desejo tão intenso que saltava os Pirineus.
Uma busca incessante solapava seus corações.
Sentados em zonas díspares construíram em seus sonhos e projetos futurísticos pontes como outrora.
É a continuidade da frenética renovação
que se nos impõe o amor.
Ele nos faz procurar romantismo em nossa complicada vida.
Por isto, para minimizar as tormentas do cotidiano conclamamos os seres naturais para que sejam os mensageiros de nossa voz ulterior e perene.
Mudai ventos do norte com seu calor irrequietante e soprai bem lá no labirinto de quem eu amo a ponto de desequilibrá-la com meu grito passional.
“Não suma com o vento”, querida! Volte com as chuvas de verão. Molhai-me com suas gotas de paixão e me fecunde com seu amplexo tórrido e eleve minha pulsão.
Raios no mar revolto que se traduzem em borrasca
rasguem as distâncias, dilacerem a escuridão
ultrapassem a tempestade, lancem-me de volta ao chão.
Tufões façam tilintar os ferros de minhas cadeias
transmutem-me desta tormenta, ilusória prisão,
ao colo de meu amor, embalem-me com o canto das sereias.
Por que amar? O porquê de tanto sofrimento nesta terra?
Onde está a facilidade propalada,
por tantos que se dizem saber o amor dominar?
Como podem propagar este erro,
que nada mais é, neste curso a seguir,
um mero, inequívoco e ledo engano.
Eu não quereria mais amar; não!
Não gostaria de ter minhas entranhas dilaceradas
com tua beleza, por vezes, por ti somente, olvidadas.
Sim, por ti, eu não te esqueço, beleza!
Encantaste-me com tamanha leveza que me fez crer
Que o meu céu só tem você por certeza.
Permitam-me, então, forças do amor,
defender-me de vós mesmos, Eros travesso,
que me enganas lançando teu dardo faceiro.
Não! Não te quero mais em minha companhia.
Iludiste-me fazendo-me amar “a filha do vento”.
Ela transtornou o meu ser e, hoje, grito com maestria.
Quero ter a certeza de que conseguirei
me reerguer e que “os pequenos pedaços
de minh’alma finalmente retornarão”.
O que me dizes agora? Pois eu já sei o que te dizer.
Procure rever teus sentimentos por mim
E de uma vez por todas e com garra me assuma.
Entrementes, ao termo de minha vida
Eu te verei responder o meu anelo:
Não suma com o vento, querida. Não suma!
F.C.F
THE-PI
21/09/07