sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Eu sou Teresina.


Eu sou Teresina que fornece aos seus convivas
a água limpida que jorra das fontes de cajuína.

Desta eu escuto os sons de Joana e aprecio
os Reis de Nando ecoando nas longilíneas avenidas.

Esta cidadela de nome de estirpe imperial e vaidosa
traz consigo em sua origem traços planejados ao comando do arguto Saraiva.

Aqui muitos chegam e pousam envoltos em seu calor invernal,
ela nos envolve com seu verde colossal.

Ela derrama lágrimas, ora de dor ora de alegria
e de tão copiosas se revertem em Poty e em Parnaíba.

Minha Teresina que agora sou por acolhida
estás sendo, singularmente, o meu recanto e minha guarida.

Aqui tenho galgado cimos outrora impensados
mas que já estavam, como algo já visto, por Deus reservados.

Eternize-me em ti minha jovem menina
faze-me guerreiro com tuas artérias, de calor, enfervescida.

Dê-me sempre de ti, cidade luz esvanecida
deixe-me ser um teu alferes, minha incipiente poetisa.

És a inspiração de todos que te cheiram e permanecem em teu rol.
Queima-me, retirando minha pele e máscara, com teu reluzente e amável sol.

Teresina, 16/08/08
Fábio Carvalho Fernandes
www.escaninhodaalma.blogspot.com

Relâmpagos


Há amores que são como relâmpagos!
De súbito iluminam e fascinam,
depois caem e dilaceram,
marcam-nos, ferem-nos, de modo que
não somos curados nem com emplastro.
Efunece,então, a certeza de que
não cairão uma segunda vez
naquele lugar onde houve um
tão horrendo e infame estrago.

Teresina,16/08/08
Fábio Carvalho Fernandes

Porto Seguro do Sagrado


Aceitar o que é bom, na nossa vida, reveste-se de um grande fulgor.
Desta máxima depreende o anseio de ver brotar o algo bom de toda dor.
Vamos, no decurso existencial deslizando as contas do rosário humano
passeamos por seus devaneios inquirindo do ecoar dos ventos: qual a vida ideal?

Esta se manifesta na unicidade do ser emergente que salta aos nossos olhos de condor.
Pulula nos rios com seus meandros numa perene piracema, corremos rio acima
cavalgando os obstáculos outrora empecilhos e que agora comporta como um andor.
Lá do alto tendo por vista o olhar do santo sentimo-nos tocados pelo hálito hinalino
do Senhor.

Ele, que tem por nome novo o acaso, retira-nos do domínio da fortuna
e nos lança no trânsito desta vida, a algo mais do que a tórrida sina.
Somo seres do renovo! Arrancamos nossas crostas ao longo dos dias sucedâneos.
Vamos amalgamando o frágil reboco com as luzes do saber hereditário.

Acumulando a este tudo aquilo que o dia a dia nos faz acumulado.
Vemos ante os nossos olhos que a esperança surge quando a gente se entrega sem a
amargura dos encarcerados.
Livres de todas as amarras entorpecentes saltamos no vôo seguro de Dedalo
rejeitamos assim as peripécias de Ícaro e vamos reto ao Porto Seguro do Sagrado.

Teresina, 20/07/2008
Fábio Carvalho Fernandes

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A Primeira Vez


A primeira vez que te vi
pensei em ir
e contigo de um modo insano e intrépido agir;
contudo pelo medo do porvir
fiquei estancado no meu frio aqui.


Teresina, 13/08/2008