sábado, 22 de agosto de 2009

Máscara

Hoje passeei por ti através de meus pensamentos. Não tive limites, por isto te palmilhei.
Como és gostosa de pisar; és tão fofa como o velocino de ouro, parece até goma de mascar.
Pulei em ti e revirei teu ser, estavas rubra sem ao menos saber quem te afagava com vigor;
Precisavas ver-te, era Medéia sem nenhum tipo de censura. Obrigado, por ti vi-me sem a máscara da mesura.





Mons. Gil. 22/07/2009 F.C.F

Pobre Medéia

Quando a alma passeia por sonhos e monstros vejo emergir nos recantos de mim o que dantes estava escrito e, então grito: será o destino a realizar-se enfim?!
Muitas as lembranças que doem ao passar dentro em mim, são tão grandes quase da altura do mais celeste serafim. Pairam por sobre meu jardim la nçando o pólen do mais refinado jasmim.
Sou virulentamente ultrajado, não confiam em minha história que perpassa a tela do meu ser por vezes embaçado. São notas falsas escritas no hálito jorrado sobre o então vidro trespassado.
Que olhares nos fazem medo? O meu ou o seu?
O meu irrequieto e inconformado ou no seu demetrio, sorrateiro e sempre ameaçado?
És enganado. Sou sempre eu o vencido e arrasado,
já que de ti só recebo o grasno falso de quem comigo se ufana de nunca ter-se ultrajado. Pobre ser isolado nunca será, na vida com sua fortuna, um alvissareiro milionário.
Resta-te uma saída, mísero escravo de sua inveja amordaçante e pútrida. Pule agora em sua latrina, e saia entre os excrementos à busca de tua triste e repugnante sina.
Ante a pergunta de quem quer ser um visionário descobrirás cego por tão vil sentimento em tuas ações revelado. Nunca serás rei nesta jornada instigante, foste, por tu mesmo, feito mísero jogador de falsos diamantes.
Por nunca se alegrares com tamanha dádiva depositada em alforjes alheios te verás sempre como um rato que às escusas aguarda sorridente o bote de tão pérfida naja arrogante.
Deixa-me ir com meus ensaios em tom maior. Quero ser eu antes que tu venhas me tolher com teu veneno entorpecedor, quero o ar e não algemas de um algoz aterrador.
Saia daqui alma pobre e me deixe navegar por minhas memórias póstumas de quem debalde as forças estrangeiras se tornou nesta terra um feliz ; mas, pra você, pobre Medéia não passo de um invejável sofredor.

Inveja-me por eu ter lembranças de alegria e dor, enquanto tu, ardilosa quimera, és do pântano o chão que se esvai em agonia e horror. Nunca alcançaras o que eu sou, posto que para seres como eu nesta vida tão gigante tens que ter inscrito em sua lápide qual epitáfio: aqui jaz alguém que a outros em vida invejou, ele isto despertou em almas que nunca nesta vida, como ele,amou.



F.C.F THE-PI 31/07/2009

Divã




Sentado, do meu divã eu me vejo passando pelo passeio que me conduz a mim.
A vida, este sim reconvexo que se reverte em sons, me faz entender que é preciso falar.
Falar o essencial, dizer-te de tua importância enfim, tu não moras aqui, ao contrário, resides no meu miocárdio carmesim.
Vens como aurora e pousa em meu céu azul e me espera em linguagens acenar que te percebo mesmo longe daqui.
A tua estadia neste belo horizonte me instiga a sempre te procurar, pois tenho medo que adoeças e não possa ao teu lado estar. Receio que se alegres e não esteja eu aí pra teu sorriso silente compartilhar.
Como pode ser alguém tão amigo assim? Nascemos de placentas diferentes, em culturas distintas fomos inseridos, saberes oportunos foram transmitidos, deuses, no inicio pertinentes, hoje pra mim presente, pra você creio que nem sempre ausente.
Tornei-me, antes de ti, um balzaquiano, gritastes ao chegar neste auge, nossa urbis de outrora era um orbe e hoje, que engraçado, queremos que nosso mundo seja o apê da Rua da Bahia que nos leva sempre a Lagoinha, nestas vias quase sempre torpes.
Querida menina que agora é mulher, não se aparte do meu ser; ao escrever-te agora senti um medo enorme de te perder... de não mais te ver. A quem eu irei fazer passar vergonha com minhas piadas horrendas e indiscretas? De quem eu irei tirar risos de minhas anedotas? Cara menina, conto piadas pra você...
Não quero ver-te com pernas no queixo entrelaçadas pelos braços, não. Suba a Serra e fique uma semana de cama, mas suba; quatro horas rumo ao alto é melhor que vê-la ofegante num buraco.
O tempo lerda, quero logo te abraçar, te dizer te amo e quero sempre contar contigo, pois sem tuas moedas de 10 centavos eu não estaria aqui fazendo-te este seu apanágio de meu notebook. Você me engendrou com sua sagacidade, sem aquela vitamina num findar de um dia triste no qual eu levei um não da PUC eu estaria, quiçá, vendo a vida passar de minha janela, sem ti, obscura.
Tu foste luz e direção na minha primeira viagem de metrô, que vergonha! Hoje só ando de avião. Obrigado pequeno grande astro de minha constelação, sem tua ajuda a minha completude teria menos condição de ser infinita plenitude.
Vou lembrar sempre de você onde quer que eu esteja, serás estrelas incandescente em meu quarto de luz apagada. Do meu teto vou lembrar que tu me fizeste sorri e que de minha sala com meu sofá e de minhas paredes cheias de cobrinhas, daquelas quando cheguei em BH, (risos) eu poderei seu nome entoar e sei, com toda certeza que hás de me escutar. Eu te amo Fá.




Teresina-PI F.C.F 20/08/09