quarta-feira, 27 de outubro de 2010

É você...



É você quem faz emergir
o sorriso na Face da Dor.
É você quem faz brilhar
a alegria no Semblante da Taciturnez.
É você quem faz surgir
a serenidade no Rosto da Tribulação.
É você quem faz pular
o coração do meu Corpo intumescido.
É você quem faz mover
o soma do meu Ser para o seu atraído.
Fábio Carvalho Fernandes
22/10/10
Mons. Gil -PI

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Irmãos


Foram seis milhões ou mais de irmãos dizimados
por irmãos outros que raciocinavam.
Pensavam, como eu e você, mesmo assim queimaram
outros semelhantes que, por insana ação, os desprezavam.

Estes que eram movidos por tão ‘nobre” ideologia
nos ensinou, hoje, talvez sem querer, o horror de uma etnia
que fora superposta a outra de maneira tão execrável e fria.
Somos assim, por nossa sinceridade sem conexão com a verdade, destruímos
Quem contra nós se lança à porfia.

Que os horrores de então e que hoje se fazem também presente
nos alerte e nos chame bastante atenção quanto aos atos recentes
para que nossas convicções não se sobreponham aos nossos irmãos e parentes
e diante de seus sofrimentos e dormentes não nos portemos com um amém inútil
e indolente.
Fábio Carvalho Fernandes 30/12/06
THE-PI

O anúncio do danna



Bate...
Mais uma vez, bate...
Ouça! Isto é meu coração,
a cada vez que seu nome em mim ecoa, numa frenética pulsão.

Ele bate porque espera
que um dia por entre ele
como um cateter por uma artéria
você passe com sua seiva e, assim, me refrigere.

Livrando-me da dor de repetir,
pois não mais a vejo,
o seu nome, a sua identidade,
neste canto, nesta melodia sem falsidade.

Bate coração!
Bate com força!
Como um tambor anunciando a chegada do danna
faça festa com a aurora, pois o sol já brilha pra sua amada.

Ele não ficou atrás da Serra das Mangabeiras
ele se dignou olhar sua beleza, a sua fronte
e cruzou como na Praça Sete
o ponto nevrálgico daquele Belo Horizonte.

O teu fim não será o da ninfa
Que, entretida em falácias,
esqueceu-se de silenciar para o essencial
e se viu, unicamente, a repetir a voz deste amor visceral.

Pobre ninfa entregue ao eco da voz de seu amor,
viu-o mergulhar em si mesmo
por não ter alguém com quem compartilhasse sua beleza e seu calor.
Isto é, realmente, uma perda, uma tristeza... uma dor.

Que o meu coração continue batendo.
Bata!
Para que onde quer que esteja o meu amor,
ouça o meu coração dizendo: volte amada!
O teu lugar é junto àquele que te sabe ter, eternamente, ao teu lado.

Fábio Carvalho Fernandes
08/08/06
THE-PI

A poesia e eu.

Vertem de dentro de mim palavras
elas deslizam por uma relva macia
e se confundem com o meu ego
e provocam um encontro: entre mim e ela.
Ela qual donzela se esquiva
eu qual mestre-sala a cortejo
desejo vê-la dentro de mim
e ela por mim, num singelo folheto.
Tal relação emerge sem atropelos.
Ela vem quando quer, e eu...
Eu a persigo por noites inquieto.
Sei que tal amor entre nós é real,
vem do alto esta relação: a poesia e eu.

Fábio Carvalho Fernandes
02/12/06
THE-PI

A Fabith e "os membros iluminados"


"os membros iluminados" são os meus que encontrou em ti a vida de uma nova vida. Se vivo é porque vivestes primeiro, por seres única é o que me faz também não me sentir nesta vida um terceiro. Obrigado por seres luz... por viveres por inteiro.

Morte intrigante


Ó morte que usurpa minhas entranhas
e que se aparece a mim ausente;
afasta-te de mim por um instante
e me presenteia com essa ação estonteante.

Dá-me um tempo a mais para algumas façanhas
permite-me do meu cárcere dilacerante
empreender obras novas e entusiasmantes.
Sou teu, mas não me leva agora, só adiante!

Que teu coração arrefecido chegue, por ressonâncias,
ao meu que insiste em movimentos hilariantes,
e que de tanto anelar a vida se faz delirante
por saber não ser possível escapar de sua foice lacerante.

Ó morte! Vês o quanto sou ávido por retumbâncias?
Deixa-me ao menos sentir o cheiro das flores exalantes
que me torna mais vivo e com a certeza radiante
de que posso esperar, um dia, não ser aturdido por teu olhar apaixonan.


Fábio Carvalho Fernandes
29/11/06
THE-PI

Podres poderes


Podres poderes humanos da fúria
que se revestem de candura
e se revelam depois qual lobo a atacar
visitou o Brasil e lançou nossa esperança ao mar.

Em força deletéria se manifestou e agiu.
Fingindo ser dona da verdade “caiu”
prendendo quem não se aliava à sua ação vil.
Fez brotar no Brasil o mal que a vida ruiu.

Voz maldita de continências mil
se alastrou pelo mundo a começar do mais senil;
envergonhou as nações e reduziu o saber humano a gritos
que não podemos olvidar.
Aqui no Brasil teve nome, o triste nome de ditadura militar.


Fábio Carvalho Fernandes
20/12/06
THE-PI

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Alma gêmea


Depois de dizer-me, aja!
Abriu-se o meu ser ao papel.
Enfrentei-o empunhando a pena
E, sem receio da poesia, tornei-me seu menestrel.

Dela brotou minha inspiração
pus-me a correr e a escrever
concatenar idéias sem esmorecer
tudo porque obedeci sem aflição.

Agora eis minha diminuta obra.
Ofereço a ti, minha alma gêmea.
Espero que esta esteja à altura
de uma alma tão grata, sincera e madura.

Que tuas ordens sempre expressem
o valor que dás à vida.
Ela como a carpa pulula
em uma doce, terna e eterna amiga.


Fábio Carvalho Fernandes
27/04/06
THE-PI

Mimar Você


Abriu-se o horizonte, raiou um novo dia,
enchi-me de esperanças.
Surge a oportunidade de...
Mimar você.

Quero te pegar em mim e sentir teu corpo nu e macio.
Tua pele aveludada por ter sido guardada nos braços úmidos de Morfeu.
Ele te velou por toda a noite enquanto eu te contemplava às escusas
Ansiando pó um novo arroubo.


És parte de mim.
Busco-te sempre e, nesta manhã,
encontro-te enfim.

Como sois um ser distinto,
ó amada minha. Sois bela!

Toco-te, palmilhando-a com a sofreguidão de mãos
que exalam calores só em imaginar
que não haverá atrito entre elas e ti.
Faze-as escorregar por teu templo somático
a encontrar o tabernáculo
onde esconde teu intimo segredo.

Nem que dure as estações eu vou descobri-lo e,
infinitamente, gozá-lo como se a primeira descoberta
fosse o último encontro de minha sede com teu diminuto aqüífero.
Parco. Restrito. Hialino. Que me faz engrandecido.

Diva minha estou à tua espera.
Quero mimá-la, dizer-te palavras fofas,
sentidas no colo de teu coração.

És enganosamente minha.
E por saberes disto, visita-me só no verão.
Não me faça isto, senão todos perceberão
que me maltratas por tamanha angústia. Que solidão!

Ainda bem que estamos na primavera
com seu espocar de múltiplas flores
e de agradáveis e infinitos odores.

Ela, ao saber de nós, agita-se até chegar ao chão
o grande tapete florido que preparou para nós.
Por este iremos à areia plácida do mar.

Lá contemplaremos a chegada do solstício
que anunciará a supremacia do rei sol
a nos unir em outras manhãs intensas e longuíssimas.
Nestas viveremos a morrer de tanto amar. Só amar!


Aguardando antecipadamente esta nova estação
que nos chega a nós no ocaso da esperança
de que não mais irei te ver em meus braços a te acariciar.

No novo verão o nosso encontro será revestido de eternidade,
posto que descobri o modo de em ti me perpetuar.
Deixarei guardado a semente inaudita da certeza
de que a saudade far-me-á presente todas às vezes em que sentires,
desolada, o meu ser ausente.












Fábio Carvalho Fernandes
03/11/08
THE-PI

Éramos vizinhos e não amantes


Eis que surge a aurora e junto à mesma
Um grito de quem antevê o óbvio aterrorizador.
Bastam apenas alguns raios de luz neste triste arrebol
Para ouvir-me gritar: não me deixe mais sofrer!

Lembro-me que me envolveste com juras previstas de amor
Enciumaste por quedar-me de pessoas alheias a nós.
Ficaste com a face rubra de raiva querendo-me só pra ti.
E acreditei, mesmo sabendo que este enredo já estampara o filme de alguém.

Dei-me então, acreditando mais em ti do que em mim;
E o que vi?! Nada além de um vazio sem fim. Éramos vizinhos e não amantes.

Por que mentiste assim, sem mesuras e cinicamente, por detrás, a ri?!
Maldito sou, por não crê no que já era esperado e avisado... O Fim.

Hoje, enraivecido gostaria de te espancar até a semelhança de minha agonia
Procurei te ferir com palavras, gestos e posturas tristemente infantis.
Vou dando margem aos meus sentimentos mais vis
E me envergonho por igualar-me de um modo tão doentio.

Gritei teu nome frente ao bólido luzente da manhã
E ao longo dos dias derramei lágrimas dementes
Já me vejo, outra vez, me refazendo de seu amor ausente
E sinto que tudo isto aconteceu por que eu nunca tive você contigo dentro de ti.

FCF
26/04/10
The.PI

Vinho Novo


Embeveça-se de ti
Bebendo teu ser num cálice de Martini.
Pois o mar tem-te em suas medidas
Revelando-se teu mensurador
És tão oculta a ti
Que te embebedas num primeiro gole de si
Alcoolize-se com o vício que causas em outrem
E verás o barril cheio que és, bêbeda em seu porvir.
Com tua modéstia sem fim
Jamais sorverá o vinho novo que trazes em ti.



FCF
Mons. Gil – PI
23-10-09

Querer-me-á um dia


Deixa-me ser-te
e de mim, vorazmente, tenha sede.

Tenha de mim anelos
que não se contentam com migalhas e farelos.

Queira-me por inteiro
e beba-me num gole alvissareiro.

Sou eu que te quero
já que querendo-me, só me venero.

Querer-me tu, é dar-me
o complemento ao meu ser sedento.

Querer-me-á um dia,
ó querido ser guerreiro!

Pois lutas contra todos, sonhos e saberes
para colocar-me por completo entre seus mais secretos quereres.


Céus do Ceará
24.06.2009
F.C.F

Edith Piaf


Brilhou no céu da França um par de olhos azuis que viria ficar, por um período, fechado à luz que tanto desejara, a ponto de nortear-se depois no curso de sua existência pelo brilho da mesma com feições tão singulares que teria por marca a tragicidade existencial que só os intensos possuem. Assim é o viver para os seres de olhos tão cintilantes que vivem a vida na linha dos segundos, sob as luzes reveladoras da ribalta. Neste palco de dimensões incomensuráveis e ao mesmo tempo diminutas fazemos transcorrer a arte de viver.

Contudo, incrustado nos desígnios do Alto, aqueles olhos obnubilados, voltariam a enxergar aquilo que só os sensíveis são capazes de entrever: a lógica escusa que há nos bastidores do cotidiano. Ver para além das aparências expostas nas vitrines das grandes avenidas que nos levam às acrobacias dos que não se querem adensar. Levam-nos às arquibancadas, pois de lá contemplamos palhaços deprimidos que vagueiam por passarelas vazias e de extrema futilidade.

Contra isto ensejo viver sob a égide do amor, ao som de um acordeonista e dançando Java. Nada há de melhor! Entregar-se passionalmente às lições que só um dia após o outro pode nos granjear. E o que eles nos ofertam? O saber-se de si e de que nesta trajetória devemos apostar todas as nossas fichas e nela, de uma forma salutar, construir as árias de nossa ópera. Viver é interpretar com visceral paixão a missão que Deus mesmo nos incumbiu de arquitetar.

Construímos, então, amores. Amar é nossa missão! Contudo aqui começa o espetáculo trágico de nosso devir. Ao se levantar as cortinas desvelam-se ante nossos olhos, sempre azuis, o novo que se irrompe de quaisquer de nossos atos já que ele fora depositado por um Ourive no coração do nosso coração. Por isto é trágico viver! É intenso! É fascinante, mas doloroso, chegando mesmo a ser dolorido, pois nossa carne sente os entraves das paixões sedutoras e fúgidas; não é caminho do amor neste trânsito se eternizar.

Assim, acredito-me que haverá um céu sem problemas onde Deus reunirá quem se ama, todavia, neste presente século e noutros por vir, seremos seviciados até a dor por amores iguais a noite que tardam em nos entregar o dia pleno dos que são contemplados com a rara reciprocidade no amar.

Ah! Amar cansa, mas ainda assim sou capaz de fazer um hino ao amor. Por isto, com uma echarpe ao ombro ouço no globo o ecoar de um imperativo debalde todas as experiências doídas registradas em livros, canções, filmes e afins: Amem! Crianças, jovens, adultos e senis, amem; até morrerem de tanto amar. Pois quem morre de amor há de vislumbrar a eternidade daqueles pulsos que irão as galáxias transverberar.

Teimo em dizer que diante da perplexidade que este milorde insiste em nos causar, eu não me arrependerei jamais. Continuarei nesta e noutra vida a te amar. No instante último de minha vida, naquela ponte atraente que me leva ao outro lado através de sua jactância inconfortável, posto que a mesma não suporta quem nela queira estacionar, reunirei, então, todos os meus souvernirs e entrarei na grande avenida que são os Campos Elíseos e de lá, daquela bela estrela de avenidas, poderei ver ao longe a torre que me faz estarrecido frente ao meu destino que geme por meu retorno.

Pleno! Voltarei cheio de novidades e contarei aos anjos, que outrora buscávamos descobrir seus sexos, as peripécias de ser humano; simplesmente humano. Que coisa engraçada me ocorre. Falo como se os anjos tivessem inveja de nós... Só que eles a têm! Eles não podem tocar, cheirar, beijar e com o outro exalar por suas glândulas o cheiro dos feromônios que nos fazem entender que por toda a vida o nome do nosso amor, loucamente, não pararemos de bradar.

Esta foi a vida de tantos que nos precederam e de tantos que nos sucederão. Esta é a minha vida! De armas em riste, prontas para este combate ganhar. Como diria o Poeta: Viver é lutar!

Sou feliz! Vivo, entre pachorras e humores alternados, uma oração intermitente e peremptória. Peço com a vivacidade de minh’alma que meu amor fique comigo até que nossos dias sejam um uníssono. Entretanto, exaspero um pouco em minhas preces e percebo que só são palavras e que me porto como um infante ingênuo e falaz.

Entrementes, faço hoje um pacto de sangue entre mim e todas as pessoas que amei, amo e irei amar. Como são muitas, a cada, uma gota de meu sangue irei derramar. Com elas estabelecerei que mesmo que elas não me amem como eu as amo... Insistirei em amá-las, contrariando todas as possíveis frustrações e ultrapassando as muralhas desta vida trágica e lânguida. Mesmo que palmilhe aquela via cor de rosas que alguns afortunados trafegam por deferência do Olimpo, eu nunca deixarei fugir de minha memória a certeza de que a vida - bela tragédia com seu palco- jamais me abandonará.

Ela se encantou por mim e me fez pedra frente aos seus olhos de Medusa, contudo, com a rigidez dos que se fecham por só possuírem o azar dos amores eu faço minhas as palavras daquela que como eu ultrapassou ufanamente o seu arco do triunfo e viveu horrendamente o seu coliseu do amor. Amem! Diria eu. Amem! Disse-nos, com seus belos olhos azuis, a trágica e indefectível Edith Piaf.

FCF
09/12/07
THE-PI

O relógio marca a hora da lembrança doída que tenho de ti.


O relógio marca a hora da lembrança doída que tenho de ti.
Seus ponteiros deslizam com uma vagareza impensável,
Saem deles líquidos sudoríferos que penetram minhas narinas
E tocam meu cérebro despertando-o em minha memória de um modo que me fascina.

Gosto disto, desta marcação temporal que me indica tua presença surreal.
Estás tão aqui quanto estás aí, na alcova que te acolhe, fazendo às vezes deste amante solitário.
A plástica do lugar afortunado me envolve de uma espessa e obtusa agonia.
Quereria ter-te e só me sobram imagens, nada mais que isto. És ausente nesta presença dormente.

Mesmo dando conta de tua inércia frente à força do tempo, não consigo concordar com tua isolada e contraditória condição.
Quando menos espero ressurges em mim por poesias que saltitam em meu ser palmilhado de incertezas quanto ao teu relógio:
será que ele roda a meu favor ou não possui de tua parte um mínimo de sensibilidade? Será que se esqueceste de dar-lhe corda?

Vens em mim como um abutre. Rasga-me com voracidade. Não respeitas nem meu Leão de chácara.
Usurpas minha alegria de ser senhor de mim e de ter-me num equilíbrio falseado.
És covarde! Por isto grito “Quo vadis?” Pra mim ou pra si?

O relógio continua a pontear... É hora de olhá-lo e, a despeito do que sinto, assusto-me.
Não consigo controlar aquilo que minha pretensão infame insiste em dominar.
Ele se irrompe trazendo-te a mim com uma candura tão convencível que acabo por esquecer o tempo.

O que sinto por ti ultrapassa o senso automático dos dígitos de alguns relógios. Não posso te medir.
Estás à altura de minha torpe comensuração. Para além de tudo que se circunscreve e se estabelece no espaço que ficou aquém.

Agora eu sei o porquê que o insistente relógio teima em trabalhar e me irrequietar.
Ele não me levava pra fora com suas setas; ao contrário me trazia pra dentro com suas retas.
Estás em mim, no bojo de minha constelação. Fazes movimentos unívocos. Pulsas como um ser estelar e eu, vislumbrado com tua quinta grandeza, circulo-te numa ingênua rotação.
Na verdade bate no meu coração o desejo de viver-te sempre em uma perene translação.

FCF
01/12/2007 THE-PI

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sentimentos

Sem ti mentes
por isto precisas estar em si
para me revelar teus grandes
e impublicáveis sentimentos.

Quando disseres que me ama,
diga-se primeiro em seus momentos que se tem toda enternecida e assim acreditarei no que sentes.

Mas, se de ti não fores presente
afaste-se de mim, mesmo enraivecida pois não terei o devido suporte neste tormento de ter alguém comigo enquanto dela mesma é sempre ausente.

Fábio Carvalho Fernandes
11/12/07
THE-PI

domingo, 1 de agosto de 2010

Quantos...?


Quantos ombros para suportar o meu fardo?
Quantas pernas para empreender minha jornada?
Quantas mãos para abrir minha cova?
Quantos olhos para derramar meus rios de pranto?
Quantas bocas para falar de meu infortúnio?
Quantos corações para sentir pulsar o findar de meus dias?

Não sei! O que eu sei, na verdade, é que tendo os seus ombros,
pernas, mãos, olhos, boca e coração eu terei a oportunidade
de vencer o trânsito de minha sofreguidão.

Sê meu auxilio amigo e verás emergir neste curso
o empreendimento feliz de se construir um ser humano por inteiro
e não erguido em frágeis pedaços.

F.C.F
The-PI
31-07-10

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Amar, não!


Em plena avenida te encontro à deriva
Estendes a mão! Assinalas a quem passas, o teu chão.
Entras no carro e saúda-me com deferência
Mostra-te uma pessoa educada, porém calada, cheia de segredos,
és uma escamoteação.

Convido-te a ver uma película, está quase na hora
Corremos um pouco! Dei-te um beijo, então gritastes:
Cuidado! Se demorarmos veremos apenas o vácuo.
Com este outro sinal, afastei-me e segui à sessão.

Dentro da sala, pipocas, líquidos e apreensão.
Tento novamente?! Toco sua tez, mas o casal vizinho nos desentoa.
Insisto mais uma vez e você na tela, toda absorta.
Percebi, com isto, que tudo o que faço fica em vão.

Compreendi que de teus lábios brotam pontes
Estas passam por sobre o abismo de sofreguidão.
Ouço-te dizer-me: venha logo, amor insano.
Quando, no meio da ponte, sinto no meu peito tua mão.

Tu me chamas sempre! Sinto a cada dia!
Entretanto, entre carinhos e afetos, ouvi teu coração gritar com todas as letras:
Amar, não!

F.C.F
The-PI
26.07.10

terça-feira, 20 de julho de 2010

Santo casamenteiro


Na mudez taciturna da noite um celerepe pulsar
É o coração do caboclo que volta pra casa a suspirar.
Desce por seu semblante acobreado o suor que há de cortar,
Por dias a fio, a pobre roupa que teima usar.

Este suor e esta sôfrega e descontrolada respiração
É sinal de que alguma coisa lhe feriu o coração.
Tal honrado trabalhador volta da festa do Santo com a lembrança
da reza, dum rosto e duma canção.

Em tal quermesse de desobriga viu aquela que fitou com admiração.
Ela será a água que matará sua sede de um só gole
lhe fará refestelar em suaa talha, quiçá um dia, enriquecida,
Com sua doce presença ao seu lado em seu Cantão.

Tal donzela, se aceitar sua convocação, tornar-se-á
a lua que faltava em sua noite por ora entristecida.
Rogue por ele, ó forte Sto. Antonio, casamenteiro.
Ajude-o a conquistar tal sinhazinha e a seu pai, terrível guerreiro.

Ele prometerá rezar uma missa e ser teu devoto festeiro.
Se seu pai abençoar seu pedido e se ele se casar com ela,
A tua festa de Junho já estará pronta desde o nosso pequenino fevereiro.



Fábio Carvalho Fernandes
THE – PI
15. 02. 07

Não suma


Havia um par que se sentia atraído,
de um modo recíproco em lugares recônditos,
mas, pela força do amor, eqüidistantes.

Cada um anelava o outro de modo tão intenso que era possível sentir a ofegância do amado nas correntes de vento que balançavam os cabelos da amante.

A cada palpitar ecoava por entre oceanos e cordilheiras,
Uma pujante exclamação: Não suma!
Era um desejo tão intenso que saltava os Pirineus.

Uma busca incessante solapava seus corações.
Sentados em zonas díspares construíram em seus sonhos e projetos futurísticos pontes como outrora.

É a continuidade da frenética renovação
que se nos impõe o amor.
Ele nos faz procurar romantismo em nossa complicada vida.

Por isto, para minimizar as tormentas do cotidiano conclamamos os seres naturais para que sejam os mensageiros de nossa voz ulterior e perene.

Mudai ventos do norte com seu calor irrequietante e soprai bem lá no labirinto de quem eu amo a ponto de desequilibrá-la com meu grito passional.

“Não suma com o vento”, querida! Volte com as chuvas de verão. Molhai-me com suas gotas de paixão e me fecunde com seu amplexo tórrido e eleve minha pulsão.

Raios no mar revolto que se traduzem em borrasca
rasguem as distâncias, dilacerem a escuridão
ultrapassem a tempestade, lancem-me de volta ao chão.

Tufões façam tilintar os ferros de minhas cadeias
transmutem-me desta tormenta, ilusória prisão,
ao colo de meu amor, embalem-me com o canto das sereias.

Por que amar? O porquê de tanto sofrimento nesta terra?
Onde está a facilidade propalada,
por tantos que se dizem saber o amor dominar?

Como podem propagar este erro,
que nada mais é, neste curso a seguir,
um mero, inequívoco e ledo engano.

Eu não quereria mais amar; não!
Não gostaria de ter minhas entranhas dilaceradas
com tua beleza, por vezes, por ti somente, olvidadas.

Sim, por ti, eu não te esqueço, beleza!
Encantaste-me com tamanha leveza que me fez crer
Que o meu céu só tem você por certeza.

Permitam-me, então, forças do amor,
defender-me de vós mesmos, Eros travesso,
que me enganas lançando teu dardo faceiro.

Não! Não te quero mais em minha companhia.
Iludiste-me fazendo-me amar “a filha do vento”.
Ela transtornou o meu ser e, hoje, grito com maestria.

Quero ter a certeza de que conseguirei
me reerguer e que “os pequenos pedaços
de minh’alma finalmente retornarão”.

O que me dizes agora? Pois eu já sei o que te dizer.
Procure rever teus sentimentos por mim
E de uma vez por todas e com garra me assuma.

Entrementes, ao termo de minha vida
Eu te verei responder o meu anelo:
Não suma com o vento, querida. Não suma!

F.C.F
THE-PI
21/09/07

Momentaneamente destruído


Estava eu diante do homúnculo vermelho do semáforo.
Ele indica minha estagnada situação.
Contemplava quem passava como noite turva.
Invadiam o meu espaço, mas não as via ante mim.

Meu pé hesitava! Era o convite das faixas paralelas
Que alisam brancamente o piche cor de Ébano.
Convidavam-me à obediência e ao encorajamento.
Havia barulho ao meu redor enquanto tudo era silêncio.

Com meus lábios cerrados falava aos outros sobre meu ser.
Encorajei-me, então, e me lancei ao outro lado.
Enfrentei aquele rubro ser que me impossibilitava.
Avancei para a outra margem e segui ao jardim dos humanos.

Quero a vida e não a morte zumbida
É preciso vivê-la na emergência do convite.
Tenho que andar, andar...
Lá, onde não existe, saberei que o que escolhi implicou o esquecimento do que deixei.

Antes, ao ter, nada possuía.
Hoje havendo nada tenho,
A não ser este ser momentaneamente destruído.

F.C.F
28/01/2008
BH/MG

Ausentes


Ausentes e por isto carentes.
Lançamo-nos no hall do mundo à procura do que não se sabe,
Em estupenda competição com os pares que me emergem como
Pretensas dádivas da vida ardente

Num embate desejo construir o nós sem antes sermos eu e tu.
Envolvemo-nos num looping estonteante. Gastamos nossas energias em elucubrações vãs e estéreis.
Não sabemos mais quem somos e nos perdemos de nós mesmos.
Nossos anéis não possuem mais dedos, só o medo do ausente.

Após a perda, a busca contínua e silente.
Em meus lençóis, sobre meus travesseiros, minhas lacrimosas confissões, e isto tudo por detrás das cortinas que impedem o sol visitar esta retina.
Vivo à sombra, numa penumbra, fui eclipsado por um amor cansado.

Dum apartamento-casulo saio às ruas e fujo dos embates tórridos e mesquinhos.
Tapo meus ouvidos com minhas mãos abertas. Não quero ouvir, mas ouço o amor que outrora me chamou e que hoje me engana.
Refratado buscava não você, mas um eu ensimesmado.
Era minha imagem ou extensão de mim. Às vezes cria que te amava, contudo, vejo hoje, que muitas vezes era a mim que venerava. Descobri que sobre ti meu altar de mármore de Carrara não te amava e sim me adorava entre incensos e sons de Omara.

F.C.F
09/12/08
BH/MG

Senhora do amor oblativo e sereno

És tão intensa que chegas, como a jabuticabeira,
a oferecer-me teus frutos ao longo do teu corpo esguio e farturento.
És senhora do amor oblativo e sereno.
És então dona de meu coração com seu precioso terreno.
F.C.F Mons. Gil - PI
09/11/2008
“A palavra me obriga dizê-la”.

F.C.F
01/04/07
The – PI

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Grandes somos, quando somos!



Grandes somos, quando somos!

Somos viandantes nesta longa e inconteste jornada que é a vida. Nela nossos devaneios vão se cobrindo de formas e antes o que era simples éter em nossa mente em labirinto vai ganhando o fio do sentido que orienta o norte de nossa romaria. Como Teseu matando o minotauro assim matamos em forma de parto o futuro que nos esmaga quando de nós é então parido. Ele nasce arrancando a dádiva chamada presente lançando-nos no purgatório das lembranças teimosamente em cena.
Somos tão grandes que não conseguimos compreender como cabemos em nós mesmos. Somos milhões a vagar num quarto e sala diminuto. Deste construímos o palco de onde executamos a tragicômica ópera da vida. De lá vemos dos olhos em pranto e sorrimos com a boca cerrada pelo não dito. A vida esta magnânima rota nos ilude fazendo-nos crer que dela somos senhores. Ela é que nos governa colocando-nos na Roda de Fortuna soltando-nos à deriva de um infinito sem mesuras.
Mesmo assim, ainda somos grandes! Postos que só nós refletimos sobre o porvir de nossas estruturas. Tão cientes e tantas vezes dementes crendo que temos tempo para fazer germinar a semente da maturidade existencial que há em cada gente. Mas nossa grandeza não está no fato de sermos grandes, não! E sim na tangibilidade de nossa oculta e rechaçada pequenez. Não nos entendemos pequenos por isto que jamais seremos em nós e de nós reinantes. Entendamo-nos por primeiro como infantes para depois sentirmo-nos gigantes.
Daqui o medo deletante do outro. Ele me revela e questiona. Indaga-nos sobre a estupefata mesquinharia. Vemo-nos rejeitar bufando toda tradição embora devêssemos enfeitá-las com alquimia. Transmutá-la calma e humanamente sem as expressões angustiantes da histeria.
Como é bom ver-se grande ante um mar com suas ondas orientadas pela maré com maestria. Nos albores do dia aquelas estão distantes para conhecer o novo e saudar depois o imenso dia que se anuncia. Ao longo do mesmo já de posse de seu oficio se tornam plenas e nos envolvem de enternecedora alegria. Ao crepuscular o propalado ser reluzente junto com ele se cansam e vão logo se retraindo buscando os braços nostálgicos de Netuno. Nestes se sentirão seguras até o despedir da última estrela guia. Desta advém a certeza que com cada nova aurora o sol em cada manhã com sua força brilha.
Assim tendo, por exemplo, a natureza que tudo distingue, mas nada excetua; os humanos só poderemos ser grandes quando de nós sobressair à verdade de que nossa grandeza se imiscui com nossa pequenez e que o outro qual luz nos alumia e conosco alça vôos rumo aos píncaros da consciência de nossa existência. De lá professaremos qual credo de iluminada harmonia:
Grandes somos, quando somos!



F.C.F
THE-PI 16/06/10

quarta-feira, 31 de março de 2010

Nesta vida só um amor

Nesta vida só um amor, o resto é placebo
com algumas contra-indicações tais como:
pessoas que se diluem ante um não;
que se adentram facilmente por veredas idílicas;
que acreditam que já estão vacinadas e, no entanto,
estão com as defesas imunológicas expostas às intempéries
de uma gripe voraz chamada paixão.

Deste falso fármaco existem efeitos colaterais:
Calafrios, lágrimas agridoces escorrendo faces plácidas pela constatação
de não ser um outro amor, e rubras por entenderem a vergonha da crença
de um repetido sentimento multicolor.

De fato, nesta vida só um amor: o resto é placebo para quem hipocondriacamente
se entende tocado pelo dardo de Cupido que, somente numa vez, atingiu o centro
do coração. É lá que reside a certeza de que nesta vida só um amor, o resto é só
engodo para quem prefere a ilusão dos emplastros às sensações reais daquele único amor que se instaura, perenemente, tal qual bactéria num organismo para todo sempre
frágil e suscetível às dores de quem entendeu, por razões diversas que,
nesta vida só um amor, o resto é desconforto para quem confunde amor com a efêmera,
às vezes meritória, paixão.

Não tem explicação, nesta vida só um amor!



F.C.F
18/03/10
M. Gil - PI

O tempo não pára



O tempo não pára, no entanto, nunca envelhece,
mas, por não parar, a cada volta em que nos encontra
se revela um peralta pleno de artimanhas
adquiridas num tempo que nunca pára e nem envelhece.


Agora mesmo, ouvindo um som que se pretende atemporal,
revela-se ao contrário, datado, fisica e geograficamente presente.
É um passado longíquo que transverbera o hoje e faz reviver as feridas
já cicatrizadas, tornando-as expostas num futuro perene.

Porquê? Por quê sinto esta nostalgia cortante e sem razão que me faz gritar silente:
Fique, eu te peço amor? não me faça dizer às paredes de ti, minha paixão.
Quero-te amor, fique aqui e estenda minha alegria, rejeitando a teimosia
e extenuada melancolia.

Que insiste em me encontrar todas às vezes que neste tempo não senil
eu me ponho a encontrar minha história que ao contrário do tempo,
mesmo inquieta e pretensamente eliptica, sente-se cada vez mais próxima
do fim com seu aliviante e estigamatizado adeus.

A Deus resta-me implorar para que meu adeus
não provoque em quem o ouve o balido entristecido e orante
de quem se põe questionadamente a gritar, vendo seu amor
partir e fenecer: Ó Deus, porquê?!

F.C.F
18/03/10
M.Gil - PI

Coração Sozinho



Coração sozinho que por avenidas se põe a vagar.
Triste e isolado se vê entre muitos malfadado.
Procura insistentemente,sem sucesso, o teu ansiado par.
Vê-se a cada vez que emerge alguém como um ser animado.

Contudo, esta alegria não perdura nem três meses.
É como um tempo probatório que, ao contrário de outros,
já indica o cabo deste enredo sem surpresas
o que para alguns seria sinal de continuidade para mim é
sinal de mortandade.

Nasci para o vácuo dos que não encontram um amor.
Percorro todas as árterias e não encontro o meu sangue redentor.
Constato entre borbadeios sistóles e diástoles
a grande certeza do meu existir: o meu coração nasceu para
sozinho vagar e nunca um amor encontrar.

F.C.F
23/03/10
M.Gil-PI