
Na mudez taciturna da noite um celerepe pulsar
É o coração do caboclo que volta pra casa a suspirar.
Desce por seu semblante acobreado o suor que há de cortar,
Por dias a fio, a pobre roupa que teima usar.
Este suor e esta sôfrega e descontrolada respiração
É sinal de que alguma coisa lhe feriu o coração.
Tal honrado trabalhador volta da festa do Santo com a lembrança
da reza, dum rosto e duma canção.
Em tal quermesse de desobriga viu aquela que fitou com admiração.
Ela será a água que matará sua sede de um só gole
lhe fará refestelar em suaa talha, quiçá um dia, enriquecida,
Com sua doce presença ao seu lado em seu Cantão.
Tal donzela, se aceitar sua convocação, tornar-se-á
a lua que faltava em sua noite por ora entristecida.
Rogue por ele, ó forte Sto. Antonio, casamenteiro.
Ajude-o a conquistar tal sinhazinha e a seu pai, terrível guerreiro.
Ele prometerá rezar uma missa e ser teu devoto festeiro.
Se seu pai abençoar seu pedido e se ele se casar com ela,
A tua festa de Junho já estará pronta desde o nosso pequenino fevereiro.

Fábio Carvalho Fernandes
THE – PI
15. 02. 07
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