terça-feira, 20 de julho de 2010

Momentaneamente destruído


Estava eu diante do homúnculo vermelho do semáforo.
Ele indica minha estagnada situação.
Contemplava quem passava como noite turva.
Invadiam o meu espaço, mas não as via ante mim.

Meu pé hesitava! Era o convite das faixas paralelas
Que alisam brancamente o piche cor de Ébano.
Convidavam-me à obediência e ao encorajamento.
Havia barulho ao meu redor enquanto tudo era silêncio.

Com meus lábios cerrados falava aos outros sobre meu ser.
Encorajei-me, então, e me lancei ao outro lado.
Enfrentei aquele rubro ser que me impossibilitava.
Avancei para a outra margem e segui ao jardim dos humanos.

Quero a vida e não a morte zumbida
É preciso vivê-la na emergência do convite.
Tenho que andar, andar...
Lá, onde não existe, saberei que o que escolhi implicou o esquecimento do que deixei.

Antes, ao ter, nada possuía.
Hoje havendo nada tenho,
A não ser este ser momentaneamente destruído.

F.C.F
28/01/2008
BH/MG

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