
Ausentes e por isto carentes.
Lançamo-nos no hall do mundo à procura do que não se sabe,
Em estupenda competição com os pares que me emergem como
Pretensas dádivas da vida ardente
Num embate desejo construir o nós sem antes sermos eu e tu.
Envolvemo-nos num looping estonteante. Gastamos nossas energias em elucubrações vãs e estéreis.
Não sabemos mais quem somos e nos perdemos de nós mesmos.
Nossos anéis não possuem mais dedos, só o medo do ausente.
Após a perda, a busca contínua e silente.
Em meus lençóis, sobre meus travesseiros, minhas lacrimosas confissões, e isto tudo por detrás das cortinas que impedem o sol visitar esta retina.
Vivo à sombra, numa penumbra, fui eclipsado por um amor cansado.
Dum apartamento-casulo saio às ruas e fujo dos embates tórridos e mesquinhos.
Tapo meus ouvidos com minhas mãos abertas. Não quero ouvir, mas ouço o amor que outrora me chamou e que hoje me engana.
Refratado buscava não você, mas um eu ensimesmado.
Era minha imagem ou extensão de mim. Às vezes cria que te amava, contudo, vejo hoje, que muitas vezes era a mim que venerava. Descobri que sobre ti meu altar de mármore de Carrara não te amava e sim me adorava entre incensos e sons de Omara.
F.C.F
09/12/08
BH/MG
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