sexta-feira, 30 de julho de 2010

Amar, não!


Em plena avenida te encontro à deriva
Estendes a mão! Assinalas a quem passas, o teu chão.
Entras no carro e saúda-me com deferência
Mostra-te uma pessoa educada, porém calada, cheia de segredos,
és uma escamoteação.

Convido-te a ver uma película, está quase na hora
Corremos um pouco! Dei-te um beijo, então gritastes:
Cuidado! Se demorarmos veremos apenas o vácuo.
Com este outro sinal, afastei-me e segui à sessão.

Dentro da sala, pipocas, líquidos e apreensão.
Tento novamente?! Toco sua tez, mas o casal vizinho nos desentoa.
Insisto mais uma vez e você na tela, toda absorta.
Percebi, com isto, que tudo o que faço fica em vão.

Compreendi que de teus lábios brotam pontes
Estas passam por sobre o abismo de sofreguidão.
Ouço-te dizer-me: venha logo, amor insano.
Quando, no meio da ponte, sinto no meu peito tua mão.

Tu me chamas sempre! Sinto a cada dia!
Entretanto, entre carinhos e afetos, ouvi teu coração gritar com todas as letras:
Amar, não!

F.C.F
The-PI
26.07.10

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