
Tenho-na daquelas idades em que se acreditava que o efêmero tempo
Revestia-se com as pompas solenes e místicas da propalada eternidade.
Naquela cidade que vivíamos imaginando ser ela o nosso atlas estonteante
Eu me vi crescer e pra outra pólis me vi convidado a morar e conhecer.
Hoje depois de tantas conhecidas e adoradas me vejo transeunte neste mundo,
E nele sou lançado entre os argonautas com sua intrépida velocidade.
Mas o que será que sinto, palmilhando todas estas verdes paisagens?
Alguns nomeiam tal sentimento de dor aguda cravada num peito com meia felicidade.
Eu ao contrário o defino como sendo uma realidade sem sal e açúcar e que nunca é morta,
Posto que todas às vezes que voltamos à velha cidade por um instante ínfimo imaginamos dominá-la ou encerrá-la.
Pobre Humano! A cada encontro que temos, e o que sentimos e vivemos ao partir, é, senão,
a doce, amarga, insípida, saborosa, indefinível, eternamente renovável e instigante saudade dos tempos de outrora.

Céus do Recôncavo baiano
28/08/2009 às 17:45h
F.C.F
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