
Sentado, do meu divã eu me vejo passando pelo passeio que me conduz a mim.
A vida, este sim reconvexo que se reverte em sons, me faz entender que é preciso falar.
Falar o essencial, dizer-te de tua importância enfim, tu não moras aqui, ao contrário, resides no meu miocárdio carmesim.
Vens como aurora e pousa em meu céu azul e me espera em linguagens acenar que te percebo mesmo longe daqui.
A tua estadia neste belo horizonte me instiga a sempre te procurar, pois tenho medo que adoeças e não possa ao teu lado estar. Receio que se alegres e não esteja eu aí pra teu sorriso silente compartilhar.
Como pode ser alguém tão amigo assim? Nascemos de placentas diferentes, em culturas distintas fomos inseridos, saberes oportunos foram transmitidos, deuses, no inicio pertinentes, hoje pra mim presente, pra você creio que nem sempre ausente.
Tornei-me, antes de ti, um balzaquiano, gritastes ao chegar neste auge, nossa urbis de outrora era um orbe e hoje, que engraçado, queremos que nosso mundo seja o apê da Rua da Bahia que nos leva sempre a Lagoinha, nestas vias quase sempre torpes.
Querida menina que agora é mulher, não se aparte do meu ser; ao escrever-te agora senti um medo enorme de te perder... de não mais te ver. A quem eu irei fazer passar vergonha com minhas piadas horrendas e indiscretas? De quem eu irei tirar risos de minhas anedotas? Cara menina, conto piadas pra você...
Não quero ver-te com pernas no queixo entrelaçadas pelos braços, não. Suba a Serra e fique uma semana de cama, mas suba; quatro horas rumo ao alto é melhor que vê-la ofegante num buraco.
O tempo lerda, quero logo te abraçar, te dizer te amo e quero sempre contar contigo, pois sem tuas moedas de 10 centavos eu não estaria aqui fazendo-te este seu apanágio de meu notebook. Você me engendrou com sua sagacidade, sem aquela vitamina num findar de um dia triste no qual eu levei um não da PUC eu estaria, quiçá, vendo a vida passar de minha janela, sem ti, obscura.
Tu foste luz e direção na minha primeira viagem de metrô, que vergonha! Hoje só ando de avião. Obrigado pequeno grande astro de minha constelação, sem tua ajuda a minha completude teria menos condição de ser infinita plenitude.
Vou lembrar sempre de você onde quer que eu esteja, serás estrelas incandescente em meu quarto de luz apagada. Do meu teto vou lembrar que tu me fizeste sorri e que de minha sala com meu sofá e de minhas paredes cheias de cobrinhas, daquelas quando cheguei em BH, (risos) eu poderei seu nome entoar e sei, com toda certeza que hás de me escutar. Eu te amo Fá.

Teresina-PI F.C.F 20/08/09
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