quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Nova Poesia


Uma nova poesia surge do nada com seu hálito quente tocando minha tez nua e obtusa.

Um toque apenas e, tendo ao fundo canções românticas me pego longe do solo tendo sido erguido do mesmo por um arroubo distante e gigante.
Deste enlevo contemplo o passado de outrora que marca com tanta simetria a hora de um novo começo.

Faz-se tempo o momento de se refazer do aflito convívio dos humanos. Sou grato por tudo, contudo, gemo entre parodias e parábolas uma nova e intrépida poesia.

O que será esta que irrompe meu canal poético vindo ao mundo como um rebento que se livra da placenta muda do pensamento? Ela nasce entre risos e vagidos. Será menina ou um rebento viril este fruto da linguagem que traduz meus lamentos?

Não Sei! Talvez seja andrógeno este ser que me cativa de longe emitindo seu balido. Digo isto por não contê-lo em mim e nem em si permaneço por extenso. Ele é autônomo embora sugue meu cotidiano tormento, extraindo da tragicidade de minha vida uma fina e apurada revelação. Ele se transforma num conjunto harmonioso a partir de meus atordoados momentos.

Electra ingrata, Brutus sem argumento. Por que disparas sobre mim já que sou eu a te dar a seiva imperecível de meus ungüentos. Sou eu em tuas dores a te aliviar e você, fria e cheia de malévola maestria, a me esquecer como um vil e improficuo objeto. A cada parto teu, lança-me tuas costas com intensa covardia só porque agora te tornastes não um resumo infeliz de palavras num acontecimento possível frente à possibilidade de minha existência.


Por te fazer nascer te revelas ingratas. Só agora descobri, depois de te passar por meu colo, que és uma bela e infame adulta. A cada nascituro teu descubro entre gritos e surdez que és a decoração deste mundo confuso.

Sois a cada aurora a revelação do belo sob os véus de uma apaixonante e nova poesia.
F.C.F
The/PI
13/06/2008

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Mundo Alfama

Perde quem não me ama,
Quem não deita em minha cama.
Perde quem pensa que me engana ao dizer em alto e bom som que teu amor por mim é uma façanha.
Desastrosamente afirmou que em sonho sempre me chama.
Infeliz, mal se viu, por atos tão vis, ser lançado fora de meu mundo-Alfama.

F.C.F
The. PI
05/06/07

Presunção

Do alto de minha presunção imaginei que a transitoriedade de meus atos seria perenizada por minha vontade aguda e absurda. Desejei ser tudo enquanto tudo me dizia ser ao menos alguma coisa. Fechei-me e não quis ouvir o imperativo da escolha. Ser e nunca abismar-me num ter pútrido e êfemero.

As coisas nos dizem e nos ensinam! Os fatos nos revelam e nos indicam a via a trilhar, a partir do primeiro passo, mesmo dispendendo logo tempo nesta atrativa jornada.

Não me sinto às vezes tamanha a certeza de que o aprendido me gerou um rebento ainda não parido. Sigo minha vida atéia crendo que o mínimo adquirido é a plenitude de uma conquista ilusória. Entre chicotes e escalpes vou aprendendo entre dores e abatimentos que a vida é muito mais que os espectros que vagam sorrateiramente os corredores sombrios de minha arrogãncia insana e patológica.

Do alto de minha revelações vou sendo convertido em um infante púbere e sedento. Minha sede vai me levando a poços profundos e refrescantes. Debruço-me sobre eles e grito em pergunta a resposta ao gemido sedento. Ao meu "tenho sede?!", ouço ecoando a certeza de que todos a temos e que minha saciedade se dará no instante, e único, em que eu ofertar a outrem a água desconhecida mas cristalina que há em mim, jorrando do meu horizonte.

Eu tão estranho a mim serei desvelado quando de mim partir a doação do meu inesperado consorte cor de marfim. Ali será dado o conhecimento de minhas intenções e compleições e, num ato extra-ordinário, serei chamado a mim como a um amigo a outro; apenas da voz do olhar entenderei que fui elevado ao patamar das companhias queridas e gratas.



Diga-me então da imensa alegria de ver refeito meu coração aberto após a queda arrasadora do meu fechamento a quem a mim se apresenta. É agora! a Diva Oportunidade se intercala entre meu eu e meus sentimentos mais impublicáveis. Eu não posso perdê-la, por isto digo que vou abraçá-la e, ela, apartar-me-á de tudo aquilo que me divide e desagrega.

Quero descer ao meu chão escaldante e com os pés descalços ultrapassar meu deserto estonteante e tomar posse da miragem que me motiva e me retoma. Lá onde ninguém ousou rumar quero chegar, trilhando as avenidas de tijolos de prata, contemplando a beleza, como num espelho, de ser, nos braços da deusa inovadora, um aprendiz que se refaz e se re-inventa após cada instante em que dá asas a imaginação e, corajosamente, para a novidade, então voa.

Fábio carvalho Fernandes
Teresina- Piauí
08/09/08