Do alto de minha presunção imaginei que a transitoriedade de meus atos seria perenizada por minha vontade aguda e absurda. Desejei ser tudo enquanto tudo me dizia ser ao menos alguma coisa. Fechei-me e não quis ouvir o imperativo da escolha. Ser e nunca abismar-me num ter pútrido e êfemero.As coisas nos dizem e nos ensinam! Os fatos nos revelam e nos indicam a via a trilhar, a partir do primeiro passo, mesmo dispendendo logo tempo nesta atrativa jornada.
Não me sinto às vezes tamanha a certeza de que o aprendido me gerou um rebento ainda não parido. Sigo minha vida atéia crendo que o mínimo adquirido é a plenitude de uma conquista ilusória. Entre chicotes e escalpes vou aprendendo entre dores e abatimentos que a vida é muito mais que os espectros que vagam sorrateiramente os corredores sombrios de minha arrogãncia insana e patológica.
Do alto de minha revelações vou sendo convertido em um infante púbere e sedento. Minha sede vai me levando a poços profundos e refrescantes. Debruço-me sobre eles e grito em pergunta a resposta ao gemido sedento. Ao meu "tenho sede?!", ouço ecoando a certeza de que todos a temos e que minha saciedade se dará no instante, e único, em que eu ofertar a outrem a água desconhecida mas cristalina que há em mim, jorrando do meu horizonte.
Eu tão estranho a mim serei desvelado quando de mim partir a doação do meu inesperado consorte cor de marfim. Ali será dado o conhecimento de minhas intenções e compleições e, num ato extra-ordinário, serei chamado a mim como a um amigo a outro; apenas da voz do olhar entenderei que fui elevado ao patamar das companhias queridas e gratas.

Diga-me então da imensa alegria de ver refeito meu coração aberto após a queda arrasadora do meu fechamento a quem a mim se apresenta. É agora! a Diva Oportunidade se intercala entre meu eu e meus sentimentos mais impublicáveis. Eu não posso perdê-la, por isto digo que vou abraçá-la e, ela, apartar-me-á de tudo aquilo que me divide e desagrega.
Quero descer ao meu chão escaldante e com os pés descalços ultrapassar meu deserto estonteante e tomar posse da miragem que me motiva e me retoma. Lá onde ninguém ousou rumar quero chegar, trilhando as avenidas de tijolos de prata, contemplando a beleza, como num espelho, de ser, nos braços da deusa inovadora, um aprendiz que se refaz e se re-inventa após cada instante em que dá asas a imaginação e, corajosamente, para a novidade, então voa.
Fábio carvalho Fernandes
Teresina- Piauí
08/09/08
Nenhum comentário:
Postar um comentário